Pornografia passa a ser considerada um “problema de saúde pública” nos EUA

A Flórida está prestes a declarar pornografia como “problema de saúde pública”. Depois do Utah ter feito o mesmo em abril, após um projeto de lei criado pelo partido republicano, de perfil mais conservador. Na ocasião, o governador Gary R. Herbert declarou: “A pornografia é uma crise de saúde pública. Trata-se de um problema descontrolado, que cresce em secreto e em silenciosamente. A nova lei abrirá as portas para a discussão e jogará luz sobre os perigos reais”. Ele classificou o hábito de se assistir material pornográfico como ‘epidemia’.

Os críticos, em especial do partido Democrata, alegaram que, havia uma influência religiosa nessa decisão do Utah, uma vez que ali fica a sede mundial da Igreja Mórmon. Contudo, os Estados de Dakota do Sul e Virgínia aprovaram resoluções semelhantes pouco tempo depois. Arkansas e Tennessee também possuem novas leis de combate à pornografia.

Agora é a Flórida que debate o tema e abrindo o debate pela sexta vez, pois ele sempre acaba tendo repercussão nacional. O projeto de lei, que está sendo debatido pelos legisladores daquele estado, afirma que a pornografia “cria uma crise de saúde pública” que está contribuindo para a hipersexualização de crianças e adolescentes. Queremos alertar sobre a natureza viciante da pornografia, mostrar seus riscos físicos e psicológicos, além dos perigos que ela traz. Observe como ela transforma homens e mulheres em objetos, prejudicando famílias e relacionamentos”.
O deputado republicano Ross Spano, um dos responsáveis pelo projeto, afirmou ao The Christian Post: “Depois de ter várias conversas com pessoas envolvidas na luta contra o tráfico humano nos últimos anos, está se tornando mais evidente que existe uma ligação direta entre o uso da pornografia e a demanda pelo sexo remunerado”.Spano acha que essa lei é necessária na Flórida por várias razões, mas “principalmente para conscientizar os cidadãos dos efeitos nocivos que a pornografia tem nas pessoas, especialmente nos nossos filhos”.

Devido ao sistema político americano, não há leis federais desse tipo, cabendo a cada estado tomar esse tipo de decisão. Contudo, a aprovação pela Flórida dessa lei pode ter uma influência significativa sobre o quadro nacional.

Os Estados Unidos é o maior produtor de pornografia do mundo. Uma pesquisa de 2015apontava que 4.41% de todo o trafego mundial da internet é para o consumo de pornografia.  Foram mais de 2 bilhões de pesquisas na web por pornografia naquele ano. Cerca de 20% das buscas de dispositivos móveis são para pornografia. Além disso, 90% dos meninos e 60% das meninas estão expostas à pornografia pela Internet antes dos 18 anos.

Apoio da Igreja

A votação na Flórida está sendo apoiada por grupos dedicados ao combate da exploração sexual, como o Centro Nacional de Exploração Sexual, o ministério online Olhos da Aliança e a Força-Tarefa contra o Tráfico Humano da América, entre outros.

Jay Dennis, que foi pastor por 38 anos e se aposentou recentemente, diz a que esta iniciativa ocorre em um momento espiritualmente significativo. Ele é um dos líderes do Join1Million e do Ministério dos Homens Wingman, dedicado a ajudar os homens a se libertarem desse vício, vem reunindo pastores e líderes das igrejas para disseminarem a ideia em outros estados.

“Isso é algo que nunca tinha visto”, afirmou Dennis sobre o vasto apoio que tem recebido da liderança cristã norte-americana. “Parece ser a única questão que consegue juntar pessoas de fé em torno de uma questão moral… Não vejo nenhum outro assunto em nossa cultura que tenha esse poder. Espero que a Igreja não perca essa oportunidade”.

Ele disse que nas conversas que tem com os pastores percebe unidade de pensamento. “Todos nós concordamos que a pornografia é prejudicial. Quem poderia imaginar que os políticos é que viriam nos pedir apoio e não contrário. Há artistas como Pamela Anderson e Russell Brand que parece dizer à Igreja: ‘Desperte’. O que estamos vendo é a sociedade dizer à Igreja: você precisa lidar com isso”.