Inspirado em hit cristão, filme “Eu Só Posso Imaginar” aborda reconciliação entre pai e filho

A música I Can Only Imagine, lançada há quase duas décadas pela banda americana MercyMe, tornou-se um dos hinos da música cristã contemporânea. Composta por Bart Millard, a canção ganhou destaque nas paradas americanas, tocou incessantemente em rádios seculares e conquistou fãs ao redor do mundo. Por trás do sucesso da letra, há um drama familiar que chega aos cinemas brasileiros hoje sob direção dos Erwin Brothers (Talento e Fé e Bebê de Outubro). Dennis Quaid (Quatro Vidas De Um Cachorro e Além da Escuridão) e o estreante J. Michael Finley vivem pai e filho no filme “Eu Só Posso Imaginar“, inspirado na vida do vocalista que decide se jogar na música para esquecer a violência em casa.

Paris Filmes / Divulgação

Em 1985, a vida do garoto Bart Millard, interpretado pelo cativante Brody Rose quando criança, não é nada fácil. No interior do Texas, o menino precisa conviver com Arthur (Dennis Quaid), um pai extremamente agressivo. E para se isolar das brigas em casa, Millard está sempre com o toca-fitas portátil em máximo volume. Se o cenário já era difícil, a situação só piora quando a mãe do garoto decide fugir do marido, deixando Millard sob os cuidados do pai.

Apesar da relação conturbada com a família, o menino cresce, entra para o time de futebol americano da escola, tem amigos, é apaixonado pela namorada, Shannon (Madeline Carroll), e ainda frequenta a igreja batista local, comunidade com a qual passou a se envolver na infância após um acampamento promovido pela congregação. Sua paixão pela música segue como um hobby e, por acaso, seu talento para cantar é descoberto em sala de aula. Após uma lesão, o adolescente é obrigado a participar do musical da escola e todos aplaudem de pé a performance – com trabalhos na Broadway (como Les Miserables, de 2014), o ator J. Michael Finley segura com maestria o papel de ator-cantor.

Acerto de contas em família

O sonho de formar uma banda de sucesso leva Millard a abandonar o pai e a namorada no interior. No fim dos anos 1990, o jovem segue para Oklahoma, conhece novos amigos, forma uma banda de rock cristã e roda os Estados Unidos fazendo shows de pequeno porte. Quando o grupo acha que está pronto para conquistar as gravadoras, recebe uma negativa dos principais empresários do ramo. A decepção faz com que Millard volte para casa para acertar as contas com o pai.

O ponto alto da história são as cenas de reconciliação entre pai e filho. Enfrentando um câncer, Arthur tenta encontrar respostas na religião e é ajudado por Millard, que tem dificuldade de perdoar um homem que lhe fez tanto mal. A morte do pai inspira Millard a escrever I Can Only Imagine, música que se torna o grande sucesso da MercyMe e ganha regravações de nomes de peso, como Amy Grant, a rainha da música pop cristã – no filme, a artista é interpretada por Nicole DuPort.

“Eu Só Posso Imaginar” entra para o filão de filmes gospel com enredo focado em dramas do cotidiano que faz sucesso nos Estados Unidos e, aqui no Brasil, ganha cada vez mais espaço no circuito. Bem produzido, o longa traz uma história envolvente que peca nos clichês – traço clássico de filmes gospel e de autoajuda, a exemplo de A Cabana. Não há intenção de deixar o espectador preencher algumas lacunas na trama, o que torna o roteiro mastigado e sem ritmo.

Dado o apelo da música de sucesso, o longa tentará repetir os ótimos números de produções cristãs recentes que arrastaram milhares ao cinema por aqui. O Quarto de Guerra (2015), com quase 600 mil de público, e o próprio A Canana (2017), que surfou no best-seller homônimo de William P. Young e ultrapassou a marca de 5 milhões, são exemplos deste cenário promissor para filmes cristãos.

 

Confira o trailer:

 

 

Fonte: gauchazh